quinta-feira, 25 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

força

Só o forte pode enfrentar seu destino, pois, graças à sua segurança interior, ele é capaz de resistir. Essa força manifesta-se através de uma incorruptível veracidade para consigo mesmo. Só quando se é capaz de ver as coisas diretamente, tais como são na realidade, sem se deixar enganar nem iludir, é que surge uma luz que permite reconhecer o caminho para o sucesso. A este reconhecimento deve seguir-se uma atuação resoluta e perseverante, pois só quem enfrenta seu destino de modo decidido o realizará.(I Ching)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

diálogos internos

supra-sumo

estar lendo tal conteúdo em um livro teu é irônico. A cada página grifos teus...A todo instante durante o deleite da leitura tenho vontade de sublinhar passagens...e de súbito, por este respeitoso pudor, algo despertou em mim. Já sabias..., ou tua leitura, como fazia Hitler, busca trechos para legitimar um discurso equivocado, déspota. Que grande ironia e desencanto, porque ou não tiveste a profundidade para entender a magnitude da obra ou querias apenas sabe-se lá porque refutar um conhecimento que sempre quis dividir contigo como um alento para a alma. Nossa, tão distantes nessa intimidade toda. E o grafite fininho impresso com a leveza necessária para não deixar marcas é o mesmo. Que leve vazio me aplaca, silencia e liberta.

sábado, 18 de setembro de 2010

...

Eu vivo a vida a vida inteira
A descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar
Não penso ter a vida inteira
Pra guiar meu coração
Eu sei que a vida é passageira
Mas o amor que eu tenho não!

Quero ofertar
A minha outra face à dor
Deixa eu sonhar com a tua outra face, amor

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

segurança

A melhor maneira de combater o mal é procurar progredir com energia na direção do bem. É manter a seriedade e não esquecer a armadura.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

estabilidade

deixando as águas mansas...passa uns ventões...pela superfície..

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Espinosa

...O autor denuncia a superstição como processo alienante, mas também admite que enquanto houver homens haverá medo e esperança; sempre existirão paixões que movem as ações humanas mais do que a razão. E é preciso coragem e ousadia para sair do confortável refúgio do amparo divino e desvendar a estrutura do real: admitir-se como parte da Natureza e assumir que o bem e o mal não são valores absolutos, mas relativos a uma construção social...Ousadia e coragem exigem portanto, procurar compreender a realidade tal como ela é, conhecermo-nos tal como somos e, a partir disso, abrir caminhos para a verdadeira liberdade. O convite à leitura de Espinosa requer que o leitor abandone todos os seus preconceitos e refúgios para compreender a natureza humana, que não estará abandonada, pois está inserida no seio da Natureza inteira. Mas desde o início Espinosa advertiu: cuidado. (Discutindo Filosofia nº8)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Estamira

"Tem o eterno, tem o infinito, tem o além e tem o além dos além. Cientista nenhum viu o além dos além."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

ESTAÇÕES

Sensação de Primavera se aproximando! Quero em mim o ameno, essa espécie de equilíbrio, de calmaria... e florescer!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Menina da Fazenda



Desde que comecei a contar histórias para minha filha, criei uma personagem que se chama A Menina da Fazenda. Um conteúdo extraído da minha infância, vivida na fazenda de meu avô, localizada nos Campos de Cima da Serra, em São Francisco de Paula, chamada “Capão do Passarinho”. Naquela época, meu tio mais novo, sua esposa e o casal de filhos moravam na propriedade. Eu e minha irmã gêmea, passávamos parte de nossas férias lá. Minhas melhores memórias de infância são dessa época.
Lógico que com o colorido da nostalgia fui recriando nossas vivências lá para Maria Teresa, minha filha, que sempre acompanhava a história concentrada, com os olhos brilhando. Todas as noites ela pedia animada uma história da Menina Deda, como ela chamava, ali pelos seus 2 aninhos, a personagem.
Contei para ela um novo episódio uma noite dessas. Fazia um tempo que não trazia este universo, lendo agora histórias de livros e gibis. Na manhã seguinte, ela, que está com cinco anos, me pediu ao acordar: “Mãe, compra a coleção da Menina da Fazenda para mim?. Fiquei surpresa, muda e completamente lisonjeada, emocionada mesmo, feliz. Revelei, com certo constrangimento, que era eu quem criava as histórias da Menina da Fazenda. Ao que ela respondeu: então escreve o livro para mim?
Estou feliz cumprindo esta promessa para minha filha.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

...

Cansei do meu discurso.
Embora não retire nenhuma palavra dele, cansei.
Não quero mais ter razão.
Não quero mais esse exercício intelectual para chegar ao teu vazio.
Só assim, me livro dessa náusea, que já não é coisa minha.

sugação

Devemos fugir de pessoas que roubam nossa energia, são elas: as coitadinhas de mim, as interrogadoras e as intimidadoras.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

o medo é a medida da indecisão

é como me perder de Deus e eu não quero

sexta-feira, 23 de julho de 2010

...

Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua

terça-feira, 13 de julho de 2010

(…) Ela emergiu do mundo dos judeus da Europa Oriental, um mundo de homens santos e milagres que já havia experimentado seus primeiros anúncios de danação. Trouxe a ardente vocação religiosa daquela sociedade agonizante para um novo mundo, um mundo em que Deus estava morto. Como Kafka, ela se desesperou; mas, à diferença de Kafka, acabou, de modo atormentado, bracejando em busca de Deus que a abandonara. Narrou sua busca em termos que, como os de Kafka, apontavam necessariamente para o mundo que ela deixara para trás. Descrevendo a alma de uma mítica judaica que sabe que Deus está morto, mas que, no tipo de paradoxo que perpassa toda a sua obra, está determinada a encontrá-lo mesmo assim. (…) BENJAMIN MOSER, in Clarice

segunda-feira, 28 de junho de 2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Aqui a escuridão chega ao ápice. O poder das trevas alcançou ao início uma posição tão elevada que podia ferir todos os que seguiram a luz e o bem. Porém, ao final, ele perece, vítima de sua própria escuridão. O mal sucumbe inexoravelmente no momento em que supera por completo ao bem, por ter assim consumido a força à qual devia sua existência. (I Ching)

sábado, 19 de junho de 2010

O que será que me dá,
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá,
O que não tem juízo...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

como um rio

(...)Uma vez lançada, a vida segue o seu curso e não o revertará nem o interromperá, não o elevará, não te avisará de sua velocidade, transcorrerá silenciosamente.(...) - Sêneca

terça-feira, 25 de maio de 2010

sapiência

Há de se ter vigilância mental ninja, para passar o facão em todo pensamento negativo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

silêncio

"O que é minha Vontade Verdadeira?" Pois até que nos tornemos inocentes estamos seguros em tentar julgar nossa Vontade a partir do externo, enquanto que a Vontade Verdadeira deveria brotar, fonte de Luz, do interior, e fluir sem empecilho, fervendo com Amor para o Oceano da Vida. Esta é a verdadeira ideia do silêncio; é nossa vontade que escoa, perfeitamente elástica, sublimemente Protéica, para preencher todo interstício do Universo da Manifestação que ela encontra em seu curso. Não há nenhum golfo largo demais para sua incomensurável força, nenhum estreito íngreme demais para sua imperturbável sutileza. Ela se ajusta com perfeira precisão à toda necessidade; sua fluidez é a garantia de sua fidelidade. Sua forma é sempre alterada por aquela da imperfeição particular que ela encontra: sua essência é idêntica em todo evento. O efeito de sua ação é sempre Perfeição. (Aleister Crowley)

http://www.boraimbola.com.br/

coisa boa

quinta-feira, 13 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

não há remédio para a ausência de amor



...Às quatro tentei me apaziguar com as seis suítes para cello solo de Johann Sebastian Bach, na versão definitiva de dom Pablo Casals. Acho que é o que de mais sábio existe em toda música, mas em vez de me apaziguar como de costume me deixaram num estado da pior prostração. (pg 22)

domingo, 9 de maio de 2010

Mães!

http://www.youtube.com/watch?v=5jjV8-H6tNU

terça-feira, 4 de maio de 2010

Vicente - Miguel Torga


Naquela tarde, à hora em que o céu se mostrava mais duro e mais sinistro, Vicente abriu as asas negras e partiu. Quarenta dias eram já decorridos desde que, integrado na leva dos escolhidos, dera entrada na Arca. Mas desde o primeiro instante que todos viram que no seu espírito não havia paz. Calado e carrancudo, andava de cá para lá numa agitação contínua, como se aquele grande navio onde o Senhor guardara a vida fosse um ultraje à criação. Em semelhante balbúrdia - lobos e cordeiros irmanados no mesmo destino -, apenas a sua figura negra e seca se mantinha inconformada com o procedimento de Deus. Numa indignação silenciosa, perguntava:- a que propósito estavam os animais metidos na confusa questão da torre de Babel? Que tinham que ver os bichos com as fornicações dos homens, que o Criador queria punir? Justos ou injustos, os altos desígnios que determinavam aquele dilúvio batiam de encontro a um sentimento fundo, de irreprimível repulsa. E, quanto mais inexorável se mostrava a prepotência, mais crescia a revolta de Vicente.
Quarenta dias, porém, a carne fraca o prendeu ali. Nem mesmo ele poderia dizer como descera do Líbano para o cais de embarque e, depois, na Arca, por tanto tempo recebera das mãos servis de Noé a ração quotidiana. Mas pudera vencer-se. conseguira, enfim, superar o instinto da própria conservação, e abrir as asas de encontro à imensidão terrível do mar. A insólita partida foi presenciada por grandes e pequenos num respeito calado e contido. Pasmados e deslumbrados, viram-no, temerário, de peito aberto, atravessar o primeiro muro de fogo com que Deus lhe quis impedir a fuga, sumir-se ao longe nos confins do espaço. Mas ninguém disse nada. O seu gesto foi naquele momento o símbolo da universal libertação. A consciência em protesto activo contra o arbítrio que dividia os seres em eleitos e condenados.
Mas ainda no íntimo de todos aquele sabor de resgate, e já do alto, larga como um trovão, penetrante como um raio, terrível, a voz de Deus: - Noé, onde está o meu servo Vicente? Bípedes e quadrúpedes ficaram petrificados. Sobre o tombadilho varrido de ilusões, desceu, pesada, uma mortalha de silêncio.
Novamente o Senhor paralisara as consciências e o instinto, e reduzia a uma
pura passividade vegetativa o resíduo da matéria palpitante. Noé, porém, era homem. E, como tal, aprestou as armas de defesa. - Deve andar por aí...Vicente! Vicente! Que é do Vicente?!... Nada.- Vicente!...Ninguém o viu? Procurem-no! Nem uma resposta. A criação inteira parecia muda. - Vicente! Vicente! Em que sítio é que ele se meteu? Até que alguém, compadecido da mísera pequenez daquela natureza, pôs fim à
comédia.
- Vicente fugiu...
- Fugiu? Fugiu como?
- Fugiu...Voou...
Bagadas de suor frio alagaram as têmporas do desgraçado. De repente, bambearam-lhe as pernas e caiu redondo no chão. Na luz pardacenta do céu houve um eclipse momentâneo. Pelas mãos invisíveis de quem comandava as fúrias, como que passou, rápido, um estremecimento de hesitação.
Mas a divina autoridade não podia continuar assim, indecisa, titubeante, à mercê da primeira subversão. O instante de perplexidade durou apenas um instante. Porque logo a voz de Deus ribombou de novo pelo céu imenso, numa severidade tonitruante.
- Noé, onde está o meu servo Vicente?
Acordado do desmaio poltrão, trémulo e confuso, Noé tentou justificar-se.
- Senhor, o teu servo Vicente evadiu-se. A mim não me pesa a consciência de
o ter ofendido, ou de lhe haver negado a ração devida. Ninguém o maltratou aqui.
Foi a sua pura insubmissão que o levou... Mas perdoa-lhe, e perdoa-me também a
mim... E salva-o, que, como tu mandaste, só o guardei a ele...
- Noé!...Noé!...
E a palavra de Deus, medonha, toou de novo pelo deserto infinito do firmamento. Depois, seguiu-se um silêncio mais terrível ainda. E, no vácuo em que tudo parecia mergulhado, ouvia-se, infantil, o choro desesperado do Patriarca, que tinha então seiscentos anos de idade.
Entretanto, suavemente, a Arca ia virando de rumo. E a seguir, como que guiada por um piloto encoberto, como que movida por uma força misteriosa, apressada e firme - ela que até ali vogara indecisa e morosa ao sabor das ondas -, dirigiu-se para o sítio onde quarenta dias antes eram os montes da Arménia.
Na consciência de todos a mesma angústia e a mesma interrogação. A que represálias recorreria agora o Senhor? Qual seria o fim daquela rebelião?
Horas e horas a Arca navegou assim, carregada de incertezas e terror. Iria
Deus obrigar o corvo a regressar à barca? Iria sacrificá-lo, pura e simplesmente, para exemplo? Ou que iria fazer? E teria Vicente resistido à fúria do vendaval, à escuridão da noite e ao dilúvio sem fim? E, se vencera tudo, a que paragens arribara? Em que sítio do universo havia ainda um retalho de esperança?
Ninguém dava resposta às próprias perguntas. Os olhos cravavam-se na distância, os corações apertavam-se num sentimento de revolta impotente, e o tempo passava.
Subitamente, um lince de visão mais penetrante viu terra. A palavra, gritada a medo, por parecer ou miragem ou blasfémia, correu a Arca de lés a lés como um perfume. E toda aquela fauna desiludida e humilhada subiu acima, ao convés, no
alvoroço grato e alentador de haver ainda chão firme neste pobre universo.
Terra! Nem planaltos, nem veigas, nem desertos. Nem mesmo a macicez tranquilizadora dum monte... Mas bastava. Para quantos o viam, o pequeno penhasco resumia a grandeza do mundo. Encarnava a própria realidade deles, até ali transfigurados em meros fantasmas flutuantes. Terra! Uma minúscula ilha de solidez no meio dum abismo movediço, e nada mais importava e tinha sentido.
Terra! Desgraçadamente, a doçura do nome trazia em si um travor. Terra...Sim, existia ainda o ventre quente da mãe. Mas o filho? Mas Vicente, o legítimo fruto daquele seio?
Vicente, porém, vivia. À medida que a barca se aproximava, foi-se clarificando na lonjura a sua presença esguia, recortada no horizonte, linha severa que limitava um corpo, e era ao mesmo tempo um perfil de vontade. Chegara! Conseguira vencer! E todos sentiram na alma a paz da humilhação vingada.
Simplesmente, as águas cresciam sempre, e o pequeno outeiro, de segundo a
segundo, ia diminuindo.
Terra! Mas uma porção de tal modo exígua, que até os mais confiados a fixavam ansiosamente, como a defendê-la da voragem. A defendê-la e a defender Vicente, cuja sorte se ligara inteiramente ao telúrico destino. Ah, mas estavam "rotas as fontes do grande abismo e abertas as cataratas do céu!" E homens e animais começaram a desesperar diante daquele submergir irremediável do último reduto da existência activa. Não, ninguém podia lutar contra a determinação de Deus. Era impossível resistir ao ímpeto dos elementos,comandados pela sua implacável tirania.
Transida, a turba sem fé fitava o reduzido cume e o corvo pousado em cima. Palmo a palmo, o cabeço fora devorado. Restava dele apenas o topo, sobre o qual, negro, sereno, único representante do que era raiz plantada no seu justo meio, impávido, permanecia Vicente. Como um espectador impessoal, seguia a Arca que vinha subindo com a maré. Escolhera a liberdade, e aceitara desde esse momento todas as consequências da opção. Olhava a barca, sim, mas para encarar de frente a degradação que recusara.
Noé e o resto dos animais assistiam mudos àquele duelo entre Vicente e Deus. E no espírito claro ou brumoso de cada um, este dilema, apenas: ou se salvava o
pedestal que sustinha Vicente, e o Senhor preservava a grandeza do instante genesíaco - a total autonomia da criatura em relação ao criador -, ou, submerso o ponto de apoio, morria Vicente, e o seu aniquilamento invalidava essa hora suprema. A significação da vida ligara-se indissoluvelmente ao acto de insubordinação. Porque ninguém mais dentro da Arca se sentia vivo. Sangue, respiração, seiva de seiva, era aquele corvo negro, molhado da cabeça aos pés, que, calma e obstinadamente, pousado na derradeira possibilidade de sobrevivência natural, desafiava a omnipotência.
Três vezes uma onda alta, num arranco de fim, lambeu as garras do corvo, mas três vezes recuou. A cada vaga, o coração frágil da Arca, dependente do coração
resoluto de Vicente, estremeceu de terror. A morte temia a morte.
Mas em breve se tornou evidente que o Senhor ia ceder. Que nada podia contra
àquela vontade inabalável de ser livre. Que, para salvar a sua própria obra, fechava, melancolicamente, as comportas do céu.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"Sabia, gosto de você chegar assim, arrancando páginas dentro de mim desde o primeiro dia". Chico Buarque

terça-feira, 27 de abril de 2010

recortes II

Um princípio básico da fé de Einstein era que a natureza não está atravancada de atributos supérfluos. Assim, deve haver um propósito para a curiosidade. Para Einstein, a curiosidade existe porque ela cria mentes que questionam; e isso gera uma apreciação pelo universo que, para ele, era equivalente ao sentimento religioso. "A curiosidade tem sua própria razão de existir", explicou certa vez. "Não podemos deixar de ficar deslumbrados ao contemplar os ministérios da eternidade, da vida, a maravilhosa estrutura da realidade".
...
Certo dia nos anos 30, Einstein convidou o poeta Saint-John Perse para ir a Princeton, pois queria saber como era seu processo de trabalho. "Como surge a ideia de um poeta?", perguntou ele. O poeta falou do papel da intuição e da imaginação. "É a mesma coisa para um cientista", respondeu Einstein, felicíssimo. "É uma iluminação súbita, quase um arrebatamento. Depois, é claro, a inteligência analisa, e as experiências confirmam ou invalidam a intuição. Mas de início há um grande salto da imaginação".
Havia um elemento estético no pensamento de Einstein, um senso de beleza. E um dos componentes da beleza, pensava ele, era a simplicidade. Fez eco à máxima de Newton - "A natureza compraz-se com a simplicidade" - no credo que pronunciou em Oxford, no ano em que deixou a Europa e partiu para os Estados Unidos: "A natureza é a realização das ideias matemáticas mais simples possíveis de conceber". (Walter Isaacson em Einstein Sua Vida, Seu Universo)

sábado, 24 de abril de 2010

“Belo é a luz que vem do que é verdadeiro.” (Joseph Beuys)

"Não se deve apressar a arte" (frase do velhinho restaurador de Toy Story 2)

Uma arte produzida por pressão de agenda fica quase sempre comprometida. Que as nuances, os acentos de humor, a competência e a maturidade dos intérpretes consigam agora superar as dificuldades, para que o espetáculo possa chegar a si. (Ana Teixeira - Crítica de Dança)

Seja realista, peça o impossível...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

o clamor da alma humana...

“O texto é sobre Mineirinho, um homicida que tinha uma namorada e era devoto de São Jorge, e que a polìcia matou com “treze balas quando uma só bastava”. A extrema violência de sua morte revoltou Clarice. “Eu me transformei no Mineirinho, massacrado pela polícia. Qualquer que tivesse sido o crime dele uma bala só bastava, o resto era vontade de matar.”
Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro tiro e o segundo tiro como um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro.

Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.(404)


"O caos tremeluzindo por trás de um véu de ordem, ameaçando a qualquer momento irromper através da superfície vigilantemente preservada". (311)


“O que choca Otávio, e tantos outros personagens do livro – a tia, por exemplo-, é a amoralidade da garota, sua proximidade com o “coração selvagem”. Joana é um animal, mais “natural” do que humana. Ao longo do livro Clarice a compara a uma víbora, um cão, um gato selvagem, um cavalo e um pássaro. A incapacidade de Joana de reconhecer ou compreender os códigos do comportamento humano abala as pessoas. Ela nunca é ativamente mal-intencionada; apenas habita outro mundo, além do bem e do mal, feito um animal de estimação que, por não compreender, faz xixi no tapete”. (pag 186 – Benjamin Moser /Clarice)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

BOBBY CHIU


divino espelho

açucar para o remédio descer


Ele é capaz de unir em sua arte elementos aparentemente contraditórios, desenvolvendo desenhos onde ironia, doçura, perversidade e inocência convivem em plena harmonia. " Acho que a maioria dos livros, filmes, e programas de TV voltados para os jovens têm essa dualidade. A mensagem é a parte adulta, mas o aspecto lúdico e inocente é como o açucar que ajuda o remédio a descer..."

quinta-feira, 15 de abril de 2010

www.zupi.com.br/revista

Uma das mais completas, desafiadoras e excitantes formas de arte, embora uma das mais "invisíveis" aos olhos do público, é a Concept Art (arte conceito). Não estamos aqui, nos referindo ao movimento Arte Conceitual (conceptual art), conhecido na história da arte, mas sim à arte capaz de traduzir ou vender uma ideia, de representá-la de forma que uma história possa ser lida; seja o resultado um elemento, um personagem, um ambiente ou um mundo inteiro de sonhos. Essa forma de arte pode ser expressa pela ilustração, escultura e muitas outras, é mais requisitada hoje pela indústria do entretenimento e é o âmago artístico por trás de um novo game ou filme vencedor de Oscar. Aqueles que assumem essa tarefa são altamente especializados, pois há uma demanda seleta para esse tipo de trabalho.
ARDÊNCIA ÂMBAR DE UM AMOR DE RAIZ

J.R.BRAZ

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Krishnamurti Costa - Antropus



A náusea
Maria Francisca

Nasceu com agudo desencanto da existência civilizada. Um algo imperativo, fisiológico, como morte em vida, uma sensação causada, tentava desesperadamente fazer-se entender, por um mecanismo neural agindo como músculo liso. Mas naqueles dias vivenciava um novo estado de ser, uma secreta serenidade. Era como uma abnegação, talvez sapiência que servia como um escudo diante do entorno, que agora não a embotava mais. Observava a densidade dominante nos centros urbanos compondo uma realidade surreal, bizarra e que inegavelmente declarava a todo instante o triunfo do pessimismo. Secreta também era uma certa alegria dispersa, ou talvez esperança, por perceber a sutileza da outra coisa, que mesmo invisível aos muitos, está na contagem regressiva dos dias que quase vertiginosamente se seguem. Nesses últimos dias observava também a claridade do sol, vinha percebendo algo incisivo na sua luminosidade.
Foi pra a parada de ônibus. Uma linha conhecida, mas que há muito não percorria seu itinerário. Entrou no veículo e sentou-se nos bancos anteriores ao cobrador. Em seguida, duas mulheres, uma obesa e outra quase idosa com cinco crianças cuidadosamente vestidas entraram na condução. As cinco crianças e as duas adultas - todo o grupo - tinham cada uma, um sorvete recém servido nas mãos. Pensou ela, diante da cena, na coragem daquela mãe em proporcionar tal alegria aos filhos e na talvez urgência para, naquele momento, pegar o coletivo. Não ficou aflita.
Continuou observando. Percebe nas duas adultas um brilho opaco de insanidade no olhar. Na mais velha há uma nuance de azul esmaecido na cor do olho e falta de foco. Na outra, o olhar também parece não ter foco, porém os olhos são intensos bem como o tom de sua voz. Esta ri enquanto, para não pagar a tarifa, ajuda uma das crianças a passar por cima da catraca, ambas têm o sorvete nas mãos. Logo se instala o desconforto da situação. Os sorvetes derretiam nas mãos da mais velha, avó das crianças para quem foram passados os sorvetes enquanto a outra ia erguendo os filhos que, sucessivamente se encaminhavam alegres para o fundo do ônibus. Teve a senhora idosa, então, 7 sorvetes nas mãos.
Pessoas se acumulavam na entrada do veículo. Alguém reclamava de tontura. Na fisionomia das pessoas só desaprovação. E Ela, observadora incólume, fazia força no pensamento para que a família conseguisse se acomodar e assim poder curtir o sorvete. Quase sorriu ao observar que mesmo sendo alvo de uma quase massiva rejeição, o grupo não se intimidou. As crianças eram livres e desinibidas.
Ao sair do ônibus olhou para a mais velha. Esta mantinha o mesmo semblante. E reconheceu nela uma parte de si mesma. Alguém mudo, sem emoção. A dor que antes existia deixou agora esta quase náusea por um vazio onde ecoa a miséria da existência humana. Acendeu um cigarro, quando de súbito começou a chover, uma chuva ensolarada. Naqueles dias de verão, “sol e chuva” passaram a ser um evento constante.

sexta-feira, 5 de março de 2010

contundência

"...quebrar os grilhões que acorrentam à inércia, na subordinada vida autômata, como meramente combustível de uma engrenagem lúgubre, de um sistema social implantado goela abaixo, aonde o cidadão é condicionado a cometer erros por causa de um modelo sócio-político-econômico que se tornou um erro já irreversível." (trecho extraído de um panfleto desses grupos religiosos. Dá até vontade de fazer a lavagem cerebral)

terça-feira, 2 de março de 2010

é gelo derretido

Março inicia com vento gelado...este inverno estabelece de vez o uso de mantas! Não é modismo!

segunda-feira, 1 de março de 2010

códigos de comportamento humano

é libertador não querer ter razão... achei que só isso garantia plena imunidade. mas não há frieza, ou mãnha, ou autodefesa para o gosto de ferir. é gratuito, o prazer terrível de ferir. o que há por tras desse gosto? entrar nessa artilharia? mas é preciso aprender o gosto de ferir... e não quero...e preciso...e não vou...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Invictus / William Ernest Henley / Tradução: Leonardo Dias

Do fundo da noite que me cobre,

Preta como o Breu de lado a lado

Agradeço a todos deuses pelo nobre

Inconquistável espírito a mim dado.


No acaso todo das circunstâncias

Não me deixei cair nem gritar

Apesar de um estouro de ânsias

Minha cabeça sangra sem curvar


Além desse lugar de tristezas e insanos

Nada se vê, só o Horror desde cedo

E ainda assim a ameaça dos anos

encontra-me e encontrar-me-á sem medo


Não importa quantas vezes desatino

nem quantas vezes a vida me espalma

Sou o mestre e senhor do meu destino:

Sou o capitão de minha alma.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010



Assisti recentemente A Noiva Cadáver. Uma curtição. Me apaixonei por este personagem.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Antroposofia



Um livro para quem pratica o autoconhecimento e ama histórias medievais, sobre cavaleiros, amor cortês e Santo Graal.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

se você não pode ser forte seja pelo menos humana

coleção 2003



Peças no varal.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Produção 2003


Esta manta foi o destaque desta coleção. Participou de uma produção de moda feita aqui na cidade por Patrícia Pontalti, publicada no caderno Donna da Zero Hora. Foto de Janete Krieger, grande amiga e parceira.

panos

Coberta de lã de ovelha. Elas são super pesadas, típicas dos Campos de Cima da Serra. Sempre forradas com tecidos de algodão, florais e de cores vibrantes, Chitas. Gosto das cores de Almodóver.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


No meu primeiro atelier

domingo, 17 de janeiro de 2010

aos contemporâneos

Perceber no escuro do presente essa luz que procura nos alcançar e não pode fazê-lo, isso significa ser contemporâneo. Por isso os contemporâneos são raros. E por isso ser contemporâneo é, antes de tudo, uma questão de coragem: porque significa ser capaz não apenas de manter fixo o olhar no escuro da época, mas também de perceber nesse escuro uma luz que, dirigida para nós, distancia-se infinitamente de nós. Ou ainda: ser pontual num compromisso ao qual se pode apenas faltar.Por isso o presente tem as vértebras quebradas. O nosso tempo, o presente, não é, de fato, apenas o mais distante: não pode em nenhum caso nos alcançar. O seu dorso está fraturado, e nós nos mantemos exatamente no ponto da fratura. Por isso somos, apesar de tudo, contemporâneos a esse tempo. Compreendam bem que o compromisso que está em questão na contemporaneidade não tem lugar simplesmente no tempo cronológico: é, no tempo cronológico, algo que urge dentro deste e que o transforma. E essa urgência é a intempestividade, o anacronismo que nos permite apreender o nosso tempo na forma de um "muito cedo" que é, também, um "muito tarde", de um "já" que é, também, um "ainda não". E, do mesmo modo, reconhecer nas trevas do presente a luz que, sem nunca nos alcançar, está perenemente em viagem até nós. (Giorgio Agamben)

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Eu, poetizado Me descubro em tudo (Vítor Ramil)