segunda-feira, 19 de abril de 2010

o clamor da alma humana...

“O texto é sobre Mineirinho, um homicida que tinha uma namorada e era devoto de São Jorge, e que a polìcia matou com “treze balas quando uma só bastava”. A extrema violência de sua morte revoltou Clarice. “Eu me transformei no Mineirinho, massacrado pela polícia. Qualquer que tivesse sido o crime dele uma bala só bastava, o resto era vontade de matar.”
Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro tiro e o segundo tiro como um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro.

Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.(404)


"O caos tremeluzindo por trás de um véu de ordem, ameaçando a qualquer momento irromper através da superfície vigilantemente preservada". (311)


“O que choca Otávio, e tantos outros personagens do livro – a tia, por exemplo-, é a amoralidade da garota, sua proximidade com o “coração selvagem”. Joana é um animal, mais “natural” do que humana. Ao longo do livro Clarice a compara a uma víbora, um cão, um gato selvagem, um cavalo e um pássaro. A incapacidade de Joana de reconhecer ou compreender os códigos do comportamento humano abala as pessoas. Ela nunca é ativamente mal-intencionada; apenas habita outro mundo, além do bem e do mal, feito um animal de estimação que, por não compreender, faz xixi no tapete”. (pag 186 – Benjamin Moser /Clarice)

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