Um princípio básico da fé de Einstein era que a natureza não está atravancada de atributos supérfluos. Assim, deve haver um propósito para a curiosidade. Para Einstein, a curiosidade existe porque ela cria mentes que questionam; e isso gera uma apreciação pelo universo que, para ele, era equivalente ao sentimento religioso. "A curiosidade tem sua própria razão de existir", explicou certa vez. "Não podemos deixar de ficar deslumbrados ao contemplar os ministérios da eternidade, da vida, a maravilhosa estrutura da realidade".
...
Certo dia nos anos 30, Einstein convidou o poeta Saint-John Perse para ir a Princeton, pois queria saber como era seu processo de trabalho. "Como surge a ideia de um poeta?", perguntou ele. O poeta falou do papel da intuição e da imaginação. "É a mesma coisa para um cientista", respondeu Einstein, felicíssimo. "É uma iluminação súbita, quase um arrebatamento. Depois, é claro, a inteligência analisa, e as experiências confirmam ou invalidam a intuição. Mas de início há um grande salto da imaginação".
Havia um elemento estético no pensamento de Einstein, um senso de beleza. E um dos componentes da beleza, pensava ele, era a simplicidade. Fez eco à máxima de Newton - "A natureza compraz-se com a simplicidade" - no credo que pronunciou em Oxford, no ano em que deixou a Europa e partiu para os Estados Unidos: "A natureza é a realização das ideias matemáticas mais simples possíveis de conceber". (Walter Isaacson em Einstein Sua Vida, Seu Universo)
criando tecidos, tramas, escritos, diálogos... buscando entrelaçar a todo instante o fio que nos interliga ao fluxo natural regido pelo tempo...tecendo com fé, confiança e boa vontade!
terça-feira, 27 de abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
"Não se deve apressar a arte" (frase do velhinho restaurador de Toy Story 2)
Uma arte produzida por pressão de agenda fica quase sempre comprometida. Que as nuances, os acentos de humor, a competência e a maturidade dos intérpretes consigam agora superar as dificuldades, para que o espetáculo possa chegar a si. (Ana Teixeira - Crítica de Dança)
segunda-feira, 19 de abril de 2010
o clamor da alma humana...
“O texto é sobre Mineirinho, um homicida que tinha uma namorada e era devoto de São Jorge, e que a polìcia matou com “treze balas quando uma só bastava”. A extrema violência de sua morte revoltou Clarice. “Eu me transformei no Mineirinho, massacrado pela polícia. Qualquer que tivesse sido o crime dele uma bala só bastava, o resto era vontade de matar.”
Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro tiro e o segundo tiro como um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro.
…
Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.(404)
"O caos tremeluzindo por trás de um véu de ordem, ameaçando a qualquer momento irromper através da superfície vigilantemente preservada". (311)
“O que choca Otávio, e tantos outros personagens do livro – a tia, por exemplo-, é a amoralidade da garota, sua proximidade com o “coração selvagem”. Joana é um animal, mais “natural” do que humana. Ao longo do livro Clarice a compara a uma víbora, um cão, um gato selvagem, um cavalo e um pássaro. A incapacidade de Joana de reconhecer ou compreender os códigos do comportamento humano abala as pessoas. Ela nunca é ativamente mal-intencionada; apenas habita outro mundo, além do bem e do mal, feito um animal de estimação que, por não compreender, faz xixi no tapete”. (pag 186 – Benjamin Moser /Clarice)
Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro tiro e o segundo tiro como um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro.
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Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.(404)
"O caos tremeluzindo por trás de um véu de ordem, ameaçando a qualquer momento irromper através da superfície vigilantemente preservada". (311)
“O que choca Otávio, e tantos outros personagens do livro – a tia, por exemplo-, é a amoralidade da garota, sua proximidade com o “coração selvagem”. Joana é um animal, mais “natural” do que humana. Ao longo do livro Clarice a compara a uma víbora, um cão, um gato selvagem, um cavalo e um pássaro. A incapacidade de Joana de reconhecer ou compreender os códigos do comportamento humano abala as pessoas. Ela nunca é ativamente mal-intencionada; apenas habita outro mundo, além do bem e do mal, feito um animal de estimação que, por não compreender, faz xixi no tapete”. (pag 186 – Benjamin Moser /Clarice)
sexta-feira, 16 de abril de 2010
açucar para o remédio descer

Ele é capaz de unir em sua arte elementos aparentemente contraditórios, desenvolvendo desenhos onde ironia, doçura, perversidade e inocência convivem em plena harmonia. " Acho que a maioria dos livros, filmes, e programas de TV voltados para os jovens têm essa dualidade. A mensagem é a parte adulta, mas o aspecto lúdico e inocente é como o açucar que ajuda o remédio a descer..."
quinta-feira, 15 de abril de 2010
www.zupi.com.br/revista
Uma das mais completas, desafiadoras e excitantes formas de arte, embora uma das mais "invisíveis" aos olhos do público, é a Concept Art (arte conceito). Não estamos aqui, nos referindo ao movimento Arte Conceitual (conceptual art), conhecido na história da arte, mas sim à arte capaz de traduzir ou vender uma ideia, de representá-la de forma que uma história possa ser lida; seja o resultado um elemento, um personagem, um ambiente ou um mundo inteiro de sonhos. Essa forma de arte pode ser expressa pela ilustração, escultura e muitas outras, é mais requisitada hoje pela indústria do entretenimento e é o âmago artístico por trás de um novo game ou filme vencedor de Oscar. Aqueles que assumem essa tarefa são altamente especializados, pois há uma demanda seleta para esse tipo de trabalho.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Krishnamurti Costa - Antropus

A náusea
Maria Francisca
Nasceu com agudo desencanto da existência civilizada. Um algo imperativo, fisiológico, como morte em vida, uma sensação causada, tentava desesperadamente fazer-se entender, por um mecanismo neural agindo como músculo liso. Mas naqueles dias vivenciava um novo estado de ser, uma secreta serenidade. Era como uma abnegação, talvez sapiência que servia como um escudo diante do entorno, que agora não a embotava mais. Observava a densidade dominante nos centros urbanos compondo uma realidade surreal, bizarra e que inegavelmente declarava a todo instante o triunfo do pessimismo. Secreta também era uma certa alegria dispersa, ou talvez esperança, por perceber a sutileza da outra coisa, que mesmo invisível aos muitos, está na contagem regressiva dos dias que quase vertiginosamente se seguem. Nesses últimos dias observava também a claridade do sol, vinha percebendo algo incisivo na sua luminosidade.
Foi pra a parada de ônibus. Uma linha conhecida, mas que há muito não percorria seu itinerário. Entrou no veículo e sentou-se nos bancos anteriores ao cobrador. Em seguida, duas mulheres, uma obesa e outra quase idosa com cinco crianças cuidadosamente vestidas entraram na condução. As cinco crianças e as duas adultas - todo o grupo - tinham cada uma, um sorvete recém servido nas mãos. Pensou ela, diante da cena, na coragem daquela mãe em proporcionar tal alegria aos filhos e na talvez urgência para, naquele momento, pegar o coletivo. Não ficou aflita.
Continuou observando. Percebe nas duas adultas um brilho opaco de insanidade no olhar. Na mais velha há uma nuance de azul esmaecido na cor do olho e falta de foco. Na outra, o olhar também parece não ter foco, porém os olhos são intensos bem como o tom de sua voz. Esta ri enquanto, para não pagar a tarifa, ajuda uma das crianças a passar por cima da catraca, ambas têm o sorvete nas mãos. Logo se instala o desconforto da situação. Os sorvetes derretiam nas mãos da mais velha, avó das crianças para quem foram passados os sorvetes enquanto a outra ia erguendo os filhos que, sucessivamente se encaminhavam alegres para o fundo do ônibus. Teve a senhora idosa, então, 7 sorvetes nas mãos.
Pessoas se acumulavam na entrada do veículo. Alguém reclamava de tontura. Na fisionomia das pessoas só desaprovação. E Ela, observadora incólume, fazia força no pensamento para que a família conseguisse se acomodar e assim poder curtir o sorvete. Quase sorriu ao observar que mesmo sendo alvo de uma quase massiva rejeição, o grupo não se intimidou. As crianças eram livres e desinibidas.
Ao sair do ônibus olhou para a mais velha. Esta mantinha o mesmo semblante. E reconheceu nela uma parte de si mesma. Alguém mudo, sem emoção. A dor que antes existia deixou agora esta quase náusea por um vazio onde ecoa a miséria da existência humana. Acendeu um cigarro, quando de súbito começou a chover, uma chuva ensolarada. Naqueles dias de verão, “sol e chuva” passaram a ser um evento constante.
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